domingo, 1 de junho de 2008

Histórias sem pé nem cabeça - parte 1

"Haveria de ter graça a ação. Mas não teve. Deveria ter ficado mais experto, mas nela confiei. Como poderia desconfiar daquele anjo de candura?
Dois anos, dois anos meu Deus, vendo-a, cumprimentando-a, sem poder com ela falar ou nela tocar. Seus olhos ariscos me assustavam, não posso negar. Coragem, pura e simples, com mulheres, nunca tive, tudo culpa de um maldito trauma idiota de infância, mamãe com medo que me tivesse qualquer contato com outra garota senão com Soraia, a tal prometida desde o meu nascimento.
Soraia não me atraia de maneira alguma, eu queria era ela. Seu nome era Helena. Helena, que vivia me enchendo sobre minhas melenas, até o fatídico dia.
Nunca gostei de café, mas com Helena convidando, até a mais amarga cafeína poderia se transformar na mais doce sacarose. Café puro, veio a proposta, 'se você cortar suas melenas, terá a Helena', coisa estranha, Helena só se referia a ela mesma na terceira pessoa.
Fiquei doido, maluco, e respondi, 'topo, topo e topo'. Emoção maldita, nem perguntei o porquê de tal ato.
Pedi para o bendito barbeiro cortar minhas melenas cultivadas com orgulho, tais quais as de meu finado pai. Não gostei do resultado, mas Helena valia. Ao sair do salão, deparo-me com Soraia. Soraia nada me pergunta, só chora. 'Helena me contou que você cortou suas melenas por ela'. Respondi que ela estava enganada, não gostava delas, só as deixava em homenagem a papai. E fui cobrar a promessa de Helena. Ela solenemente ignorou-me, 'prova o que eu lhe disse?' ela retorquiu. Fui enganado, magoei Soraia, e ainda perdi as melenas. Tudo para ficar com Helena. Fechei a cara, fui para minha sala, e chorei."

Um comentário:

Anônimo disse...

Bela história!
Mas vem cá, seu pai Genésio faleceu mesmo ?

Abraços !