terça-feira, 3 de junho de 2008

Ouço falar

Ouço falar o quanto está longe
Não vejo a hora de lhe ver voltar
Não importará o horário
A casa toda eu vou arrumar.

Hei de colocar roupa nova,
E ainda mandar rezar
Treze missas pela benção
Pelo tempo que tive de esperar.

Dizem que um sinal foi mandado
Mas eu me recusei a acreditar
O telegrama era curto, mas claro
Preferi ficar a esperançar.

Se você voltar e eu não estiver,
Não se afobe, vá jantar
Deixarei a comida no forno
É riscar o fósforo para esquentar.

Antes eu não segurava
E dava para ficar a chorar
Agora achei o conforto
E prefiro ficar a pensar.

Pensar o quanto Deus é bom,
Ou seria mal por lhe levar,
Para lugar onde não posso lhe ver,
Para lugar onde não posso lhe tocar.

Ontem mesmo, peguei seu caderno
E fiquei a tarde a decifrar
Teria você deixado alguma mensagem
Que agora muito iria me confortar.

Estou esperando, apareça
Mas não esqueça de avisar,
Estarei com certeza na labuta
Mas sempre esperando você chegar.

Prometo não ficar cansado,
Mas agora preciso me deitar
Para que tenha sono tranqüilo
E com você me seja permitido sonhar.

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